8/8/06

Não sei que mágica suprema
carregam teus beijos
que me elevam em êxtase
me provocam arrepios
enlaçam minha alma
com volúpia e urgência
não sei que segredo imenso
encerram teus lábios
quando se abrem aos meus
e me esmagam em prece
em música, em fogo
e me levam por caminhos
não trilhados jamais
não sei que poção desconhecida
tem tua língua
quando me fustiga, invade
com gosto de prazer e pecado
só sei que o céu da tua boca
tem estrelas de prazer
(escrito por Zailda Mendes)

Poço de carícias e ternura
rocha de paixão e de loucura
lâmina que corta e que mistura
teus fluidos aos meus, com fremência,
desejo que me engole com a urgência
do teu corpo que me fustiga sem clemência
ave de rapina que me arrebata
e me abre o peito, me mata
em uivos de desejo e prazer
em ondas que trespassam meu ser
louco pássaro que me desfalece
com carícias tão doidas, adormece
teu cansaço no meu
e entrego meu corpo ao teu
não sei se anjo ou demônio
não sei se paixão ou frenesi
só sei que me entrego inteira
começo e termino em ti.
(escrito por Zailda Mendes)

Loucas de carícias plenas
borboletas que me tocam
pássaros que me acariciam
presas que me tomam
garras que me prendem
brasas que me marcam
línguas que me devoram
guias que me levam
laços que me torturam
apenas duas, parecem mil
me incendeiam o corpo
me levam a alma
me transtornam a mente
me enlouquecem de prazer
tuas, tão minhas, tuas mãos.
(escrito por Zailda Mendes)

Cavalgo tua noite, teu corpo
velo teu sono
abandono
meu peito à ânsia do prazer
escalo teus montes, teu centro
me cedo e me nego,
me entrego
velejo teus suspiros e gemidos
bebo tua água, tua boca
te tomo e te abraço
enlaço
meu corpo ardente ao teu
te juro loucuras, meus ais
revivo e desfaleço
esqueço
que na ânsia de ser
completamente, perdidamente tua
te quero apenas meu.
(escrito por Zailda Mendes)

Me tomas com volúpia
Reclamando o que é teu
Me arrebatas em beijos plenos
De loucura e de mel
Me trespassas o ventre com suspiros
Me penetras a carne
E eu me derramo em desejos
Me embebo em gemidos, em ais
Me transbordo de prazer
Me entrego à tua fúria
Me exalo de paixão
E morro e desfaleço, perdida
Em beijos e carícias
Viajando em nuvens de prazer.
(escrito por Zailda Mendes)
11/7/06

Vida, essa vida bandida
vida atropelada, corrida
que nos faz deixar pra trás
amigos, amores
esquecer de olhar as estrelas
de abraçar os filhos
de olhar nos olhos
que nos transforma em seres sem alma
sem espiritualidade
sem tempo pra nada
pra tomar uma cerveja com os amigos
bater papo no fim de tarde
ler um livro
ouvir uma piada
lembrar o nome do ator de um filme
entre risadas
sem tempo pra tomar sorvete
banho de chuva
comer algodão-doce
dar muita gargalhada
contar as histórias
deixar nossas marcas
abrir o coração
chorar nossas mágoas
nossas pequenas tragédias
Um dia essa vida bandida
se vai, se escoa, se acaba
e nós vamos de vazias
deixamos um grande nada
nos libertamos da prisão.
(escrito por Zailda Mendes)

O riso leve no rosto marcado
abstrato
a perna da moça no banco do metrô
o olhar do padeiro na fila do avião
abstrato
Sigo a vida sem entender nada
o prédio onde moro
de paredes cinzas
onde tenho um vizinho que vejo aos domingos
abstrato
A promessa de amor
que morre na fila do metrô
o emprego marcado de hora pregada
o salário minguado
abstrato
A vela do crente
a oração do infiel
a jura do amante
a perna da moça no rosto marcado
que morre na parede cinza do meu vizinho
abstrato
A vida corre, foge entre os dedos
não entendo mais nada
perco o fôlego e sigo a novela
a fila de velas em oração
na mão estendida do mendigo
na bala do revólver do ladrão
na rua cinza e o salário minguado
abstrato
Na soleira da porta
a perna do mendigo
o sorriso da moça
a bala do vizinho
perco a novela e sigo a oração
um corpo estendido
na hora marcada
abstrato
(escrito por Zailda Mendes)

A moça na janela do trem
rosto na vidraça, olhar no nada
lágrima no peito
janela do trem
A moça e o trem passam voando
o trem leva a moça
a moça leva a saudade
solidão é pra quem fica
adeus é pra quem parte
na lágrima da janela do trem
O coração bate apertado
a moça no trem chora o mundo
de lágrimas que não chorei
que engoli
que não sei contar, não sei dizer
A moça e eu no trem
o trem corre e em deixa aqui
olhando a moça na janela
coração partido, olhar vazio
lágrima da moça do trem
A janela se apaga da memória
o trem entra na bruma
sua história
se perde, se confunde
só fica a lágrima
a lágrima e a moça
que parte na janela do trem
(escrito por Zailda Mendes)

Lua morena da boca serena
derrama tua luz na minha tristeza
espalha prata por minha mágoa
carrega com seu véu noturno
as lágrimas dos meus olhos
enxuga meu peito de lágrimas
loucas, frouxas, bailarinas
flores cristalinas
cristalizadas de saudade
insanas de vontade
nuvens de prata e dor
águas que caem dos olhos
e se secam em tua luz
(escrito por Zailda Mendes)

Lágrima
gota
perfeita
lacre
da alma
rompe
jorra
serpenteia
reluz
escorre
brota
da alma
ferida
sofrida
alquebrada
que sofre
contorce
dói
chora
gota
de lágrima
(escrito por Zailda Mendes)