Estala, coração

Coisas que escrevo

24/2/07

Quimera

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Você é o abraço da brisa
o cheiro do céu
sorriso que cristaliza
no calor do papel.

É o som do orvalho
e o gosto da canção,
a chuva em que esmigalho
a voz do coração.

Você é o inexplicável
é o insondável, inviável,
pálida e sutil quimera

É o delírio do louco,
é o meu suspiro rouco
das largas noites de espera.

(por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    16:15 — Arquivado em: Sem categoria

Adeus

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Quando você sorri
a lua
pede licença
e inunda de luar
meu coração.

Se você chora
a tempestade
trovoa em minha alma
e serpenteia
riscando meu corpo
com asas de vento.

Se você parte
o tenebroso escuro
de breu
se instala como um véu
meu peito estala
e arfa, sentido
adeus.

(por Zailda  Mendes)

criado por zaildamendes    16:10 — Arquivado em: Sem categoria

Dia e noite

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Dia
teu olhar
sol da manhã
ilumina minha tristeza
canta meu peito
viola

Noite
teu beijo
luar
lua derramando
em meu peito
cristal de giz
que se desfaz
com o vento

Chuva
gota de pérola
vazando de mim
escorre na pele
queima em chaga
de cetim.

(por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    16:06 — Arquivado em: Sem categoria

27/10/06

Braços e abraços

Toma-me de um golpe
emerge de mim
me arranca das sombras
me sacia em ti
me sorve em gotas
me lambe, me engole
me embala em gemidos
me carrega em teus ais;
me encharca de amor
escorrega em meu seio
resvala em meu ventre
me invade com loucura
me abre, me cerca
me jorra, me planta
descobre meus véus
entra em meu ser
me cega de delícia
percorre meu prazer
me cavalga em agonia
me preenche, me sacode em êxtase
me alimenta com tua semente
e me deixa, dormente
vacilante, incoerente,
saciada, esvaziada
inerte em volúpia
explodida em cansaço
inundada de loucura
embebida em desejos e beijos
escalar fronteiras
de amor e tontura
em teus braços, meus laços
meus pássaros de prazer

(Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    12:44 — Arquivado em: Sem categoria

Fera

Beijo de fogo
desvario
de paixão e prazer
calafrio
fera no cio
vendaval de carícias
delícias
que varrem meu peito
colossal
alma animal
aquieta minha alma
sacia meu pranto
afoga meu olhar
serpente, carente
ardente
enxuga meu medo
me rola em segredo
abate meu pesadelo
desvelo
novelo, meu pelo
enreda minha boca
num beijo supremo
sereno, veneno
carícia insone
de música e avelã
agonia pagã
de fera, pantera
quimera
carrega meu pesar
altar, olhar
em teu hálito frio
desvio
emerge do meu sonho
medonho
e me faz tua
nua
envolvente
carente
demente
imprudente
eternamente

(Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    12:33 — Arquivado em: Sem categoria

Coração

Meu coração bate
junto ao teu, descompassado
tarado
pecado
domado

Minha boca busca
a tua, carente
doente
latente
fulgente

meu olhar cai
no teu, dorido
sentido
bandido
caído

Meu corpo se enrosca
ao teu, desperto
aberto
incerto
esperto

Meu hálito suga
o teu, agonia
ironia
fugidia
fantasia

(Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    12:20 — Arquivado em: Sem categoria

Dor insana

Onde repouso o olhar embaciado
turvado pelas brumas da tristeza
que goteja, incessante,
que escorre lentamente
pelos poros de minh’alma,
embalada em suspiros de agonia
que exalam de meu coração?

Onde encosto as pernas bambas
da inútil caminhada
em busca dos teus olhos?
Onde descanso a carcaça,
os ossos - destroços
do gélido cansaço,
de palpável e lúgubre centelha
de dor inerte e insana?

Onde deixo os beijos - abortos -
destinados aos teus lábios?
Agora se enroscam - luzidias serpentes -
amarfanhando-se em meu peito
inundado em charcos de lágrimas cruas,
que borbulham em fontes de fel?

Onde encosto o soluço
das mil noites insones
das tresloucadas madrugadas
de prantos errantes
da chaga colossal de dor pungente
queimando lânguida, envolvente,
despojando a alma errante e triste
desfazendo-se em laços, pedaços,
esquartejando meu ser
até, enfim, voar liberto
em busca do alívio incerto
descansar, repousar, fenecer…

(Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    12:12 — Arquivado em: Sem categoria

23/10/06

Roaming

Today´s merely another day
Life’s like a long way
I’ve got only the sorrow
days without tomorrow.
Coz now I see
no one anymore for me.
I have nothing above the sky
no more tears to cry
just a lonely heart
nothing more to start.

Sadness hurts my soul
coz now I know
you won’t be here,
nothing more to fear.
Now I realize
no more faults to apologize
coz you weren’t there
coz you aren’t anywhere.

I’ve got just the sharp pain
you’ll never be there again.

(by Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    14:36 — Arquivado em: Sem categoria

Too late

How dare you give your love
offer me all the kisses
I dreamed about
throughout my lonely nights?

How dare you say
I’m the only one
after all those tears
all the lame excuses
the incredible pain
that destroyed my heart?

The charming lies you told me
day after day
with your stunning blue eyes.
Every short story
you made up smiling
made my soul die.

My heart is a desert
where nothing can grow
no one can inhabit
only the darkness in my soul.

I’m the only who knows
about the sleepless nights
and the uncountable tears
rolling down on my face.

It’s too late,
I can’t make the time go back
and couldn’t make the love survive
It’s Just gone away.
And now I roam
among shadows of what I used to be.

My life has no sense
my heart is empty
I don’t know what to do
with all the love
you wanna give me
coz it’s too late now
my heart is broken
my soul’s gone.

(Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    14:20 — Arquivado em: Sem categoria

6/9/06

Espírito errante

Vai, espírito alucinado
que abandona minha carcaça
em véus de agonia e êxtase
em suspiros e ais marcados
por trêmulas lágrimas
e bêbados sorrisos,
lancinantes feridas expostas
ao júbilo e ao prazer
dos inimigos, torpes serpentes
que esmago sob a sola dos pés
enquanto avanço
a alma nua, o vulto pálido,
o corpo esquálido e putrefato
as córneas vazias
o peito inerte
abrindo os portais do inferno
de onde as chamas me lambem
e me sopram a pele desnuda
o hálito ardente
a carne lacerada
o sangue pisado, coalhado
ferido, finado, escoado, acabado.

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    8:29 — Arquivado em: Sem categoria
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