Estala, coração

Coisas que escrevo

11/7/06

Vida Bandida

Vida, essa vida bandida
vida atropelada, corrida
que nos faz deixar pra trás
amigos, amores
esquecer de olhar as estrelas
de abraçar os filhos
de olhar nos olhos
que nos transforma em seres sem alma
sem espiritualidade
sem tempo pra nada
pra tomar uma cerveja com os amigos
bater papo no fim de tarde
ler um livro
ouvir uma piada
lembrar o nome do ator de um filme
entre risadas
sem tempo pra tomar sorvete
banho de chuva
comer algodão-doce
dar muita gargalhada
contar as histórias
deixar nossas marcas
abrir o coração
chorar nossas mágoas
nossas pequenas tragédias
Um dia essa vida bandida
se vai, se escoa, se acaba
e nós vamos de vazias
deixamos um grande nada
nos libertamos da prisão.

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    14:33 — Arquivado em: Sem categoria

Abstrato

O riso leve no rosto marcado
abstrato
a perna da moça no banco do metrô
o olhar do padeiro na fila do avião
abstrato

Sigo a vida sem entender nada
o prédio onde moro
de paredes cinzas
onde tenho um vizinho que vejo aos domingos
abstrato

A promessa de amor
que morre na fila do metrô
o emprego marcado de hora pregada
o salário minguado
abstrato

A vela do crente
a oração do infiel
a jura do amante
a perna da moça no rosto marcado
que morre na parede cinza do meu vizinho
abstrato

A vida corre, foge entre os dedos
não entendo mais nada
perco o fôlego e sigo a novela
a fila de velas em oração
na mão estendida do mendigo
na bala do revólver do ladrão
na rua cinza e o salário minguado
abstrato

Na soleira da porta
a perna do mendigo
o sorriso da moça
a bala do vizinho
perco a novela e sigo a oração
um corpo estendido
na hora marcada
abstrato

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    1:11 — Arquivado em: Sem categoria

Moça na janela

A moça na janela do trem
rosto na vidraça, olhar no nada
lágrima no peito
janela do trem

A moça e o trem passam voando
o trem leva a moça
a moça leva a saudade
solidão é pra quem fica
adeus é pra quem parte
na lágrima da janela do trem

O coração bate apertado
a moça no trem chora o mundo
de lágrimas que não chorei
que engoli
que não sei contar, não sei dizer

A moça e eu no trem
o trem corre e em deixa aqui
olhando a moça na janela
coração partido, olhar vazio
lágrima da moça do trem

A janela se apaga da memória
o trem entra na bruma
sua história
se perde, se confunde
só fica a lágrima
a lágrima e a moça
que parte na janela do trem

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    1:08 — Arquivado em: Sem categoria

Lua

Lua morena da boca serena
derrama tua luz na minha tristeza
espalha prata por minha mágoa
carrega com seu véu noturno
as lágrimas dos meus olhos
enxuga meu peito de lágrimas
loucas, frouxas, bailarinas
flores cristalinas
cristalizadas de saudade
insanas de vontade
nuvens de prata e dor
águas que caem dos olhos
e se secam em tua luz

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    1:01 — Arquivado em: Sem categoria

Gota

Lágrima
gota
perfeita
lacre
da alma
rompe
jorra
serpenteia
reluz
escorre
brota
da alma
ferida
sofrida
alquebrada
que sofre
contorce
dói
chora
gota
de lágrima

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    0:58 — Arquivado em: Sem categoria

2/7/06

Ama

Ama, ama muito
mesmo que te doa o coração
e que rompam os soluços
ama sempre
mesmo que te dilacere a carne
e que jorre o sangue
ama incontrolavelmente
ainda que o peito arfe de dor
e brote em lágrimas frias
ama ainda
mesmo que não sejas amado
e te torture o ciúme
como lança fria no peito
ainda assim segue amando
até se a vida te escoa
em suspiros de saudade
ama, ama muito, ama sempre
porque a vida assim sem amar
é vida vazia
vida oca, sem destino
sem descanso, sem rumo
viver sem amar é apenas vegetar

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    6:42 — Arquivado em: Sem categoria

1/7/06

Borboleta

Borboleta rubra
no céu de outono
detém seu voar
me leva em tuas asas
pra longe, bem longe
me leva pro mar
nas águas salgadas
flutuar, afundar
nascer, renascer
nas águas morrer
desaparecer

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    18:27 — Arquivado em: Sem categoria

Loucura

A gargalhada louca
escorre da boca
o cérebro desfalece
adormece
as imagens se sobrepõem
em vertiginosa viagem
de cores e dores
insuportáveis
medonhas, desumanas
monstros brancos que aos poucos
invadem todos os lugares
e mente já não suporta
e se desmancha em luzes
e a gargalhada rasga a noite
entra pelas frestas das janelas
a loucura irrompe, indomável
e assim fenece, adormece
no peito do louco
o último fio de lucidez

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    18:25 — Arquivado em: Sem categoria

A vida continua

A vida continua
que importa o vazio
que importa o nada
que importa o desamor
que importa a dor
que importa o fim dos sonhos
o fim do amor
o fim da alegria
o fim da quimera
adeus à felicidade
adeus à vida
adeus à música
o importante é seguir
sem saber pra onde
seguir em frente
seguir, seguir enfim
até tombar de repente
parar para sempre
abandonar o corpo
voar pra eternidade
e a vida continua

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    18:14 — Arquivado em: Sem categoria

Dor

As garras cravam o coração
que se debate, em vão
que chia, que agoniza
e lentamente se contrai
em estertor de morte
e convulsivamente tenta guardar
em seu interior sangrento
restos do amor estraçalhado
pedaços de sonhos moribundos
mas o sangue escorre
e ele se abre
como uma gaiola
deixando voar para sempre
tudo que foi um dia
escorrendo pelos vãos dos dedos
pelo torpor das mãos
que se abrem para libertar
o último sopro
e então só fica a dor

(escrito por Zailda Mendes)

criado por zaildamendes    18:09 — Arquivado em: Sem categoria
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