20/6/06

Tuas mãos
refúgio de carícias
promessa de delícias
teus olhos
um mar para me perder
sucumbir
cair
tua boca
demônio a perseguir
em sonhos
pesadelos de amor
teu corpo
fadiga na madrugada
serenata
febre de amor
destino
boca pra te amar
mãos pra te beijar
pesadelos pra te tocar
olhos pra te levar
(escrito por Zailda Mendes)

Amanhã quero abrir a janela
sentir o sol da manhã
beijar as flores macias
esquecer as imagens sombrias
ver os pássaros derramando
seu canto pelos jardins
abrir minhas cortinas
te encarar sem medo, amanhã
Mas hoje a alma tão fria
estertora, vazia
irrompe em agonia
Amanhã quero descer as escadas
e ver os rostos carentes
de afeto, reluzentes
ouvir o sol da manhã
romper pela luz do dia
esquecer a paisagem vadia
comer do fruto
e beijar a flor
Mas hoje o coração dispara
acelera, estala
se arrasta na sombra de fel
Amanhã quero abrir a cortina
ver água cristalina
a borboleta no mato
o pássaro na escada
saltitante, carente
o sol cantar mais um dia
Mas hoje
a alma em estertores, fel
o coração agoniza
espera, amor
espera chegar a manhã
(escrito por Zailda Mendes)

De outras vidas
te procurando
urgência
coincidência
te entreguei meu cansaço
te envolvi num abraço
me fiz sonho e pesadelo
te dei minha loucura
me derramastes ternura
me preenchestes o vazio
laços
que não se desprendem jamais
nessa vida, em outra vida
em quantas irei vagar
me buscando, te encontrando
e nos perdendo
te levando assim
dentro de mim
amor sem tempo
sem hora
porque se demora
chega a hora
(escrito por Zailda Mendes)
19/6/06

Você voltou… passarinho
acolho na palma da minha mão
asa quebrada
coração partido
faço de leve um carinho
em tuas penas… tantas penas
com medo de você partir
medo de você voar…
(escrito por Zailda Mendes)
18/6/06

Tu, sedução
eu, purpurina
tu, paixão
eu, chaga cristalina
tu, enganos
eu, adrenalina
tu, sem planos
eu, alma de menina
tu, o adeus
eu, a dor latente
nos olhos teus
meu peito ardente
(escrito por Zailda Mendes)

Coração serpente
às vezes se esquece
se esgarça, doente
se embala, enternece
Aguarda a mortalha
aguarda o calor
o fio da navalha
o beijo da flor
espera e procura
torce e se aquece
na imensa amargura
e de procurar, fenece
(escrito por Zailda Mendes)

Vamos levando essa vida
sofrida
dorida
bandida
Rasgando o coração
fremente
doente
latente
Procurando um amor
verdade
metade
saudade
E a dor no peito
estala
exala
embala
Um sonho perdido
ferido
caído
sofrido
Feito de mentira
engano
insano
profano
(escrito por Zailda Mendes)

Alma inerte, febril, amargurada
alucina, fervilha, transborda
em poesia por anos aprisionada
que rasga, foge, rói a corda.
Versos de dor tão pungente
dor funda, lágrima rimada
do peito brota, brado urgente
desta súplica que jaz, esfacelada.
Arranca do peito negror tão profundo
escancara a chaga e a mostra ao mundo
qual vampiro insano a sugar meu peito
Extrai o fel do meu pavor imundo
esquarteja o espírito moribundo
e toma logo o que é teu por direito.
(escrito por Zailda Mendes)

Ainda arde na face o bofetão que destes
ainda agoniza o seio onde cravastes o punhal
mas lançam teu castigo os anjos celestes
te dei amor e me pagastes com o mal
Ignorastes meu clamor queixoso
ofuscastes a beleza de um amor tardio
arrancastes, de um só golpe poderoso
e deixastes apenas um coração vazio.
Afogastes a lágrima em lúgubre veneno
e devolvestes apenas teu coração pequeno
enlameastes meu sonho de doce ternura.
Carregas na alma o castigo pleno
e hás de padecê-lo, agora te condeno
lambe o chão onde rastejas, pérfida criatura.
(escrito por Zailda Mendes)
16/6/06

Engole o soluço negro que te arrepia
e com tenazes garras te dilacera
o peito, em indizível agonia
Beija a serpente que te habita e espera
Aguarda o raio que desce, lancinante
e há de partir tua alma ao meio
teu vulto, uma chaga transbordante
de fel, retorna de onde veio.
Volta vencida, besta repugnante
ao seio que te acolhe, inferno delirante
em negros abismos de seres colossais
Arrasta, enfim, tua alma errante
a dor flutua, contorce teu semblante
e te sugam as vísceras os anjos infenais.
(escrito por Zailda Mendes)