28/6/06

Enquanto dormes tão distante
meu espírito vela teu sono
te beijo com a luz do luar
um beijo doce com sabor de mel
e hortelã
te toco com a brisa
que acaricia teu corpo amado
dolorosamente longe
te sussurro palavras de amor
quentes ao ouvido
nas gotas de orvalho
que voam sorrateiras
por tua janela aberta
de madrugada me despeço
no cantar do passarinho
que derrama seu canto
na aurora que galopa
te aceno "até breve"
nas asas da borboleta
que acaricia as flores
do teu jardim
tão longe e tão perto
tão perto mas tão longe
(escrito por Zailda Mendes)
27/6/06

Quando você se vai
meu peito jaz, sombrio
mas se me toca
meu corpo se abre em desvario
teu beijo me alucina
e eu, ave no cio
Nossas línguas traçam arcos
e se misturam
eu me esfrego em teu corpo
e nossos sexos se procuram
e os suspiros de amor são preces
que nossas bocas juram
O desejo jorra em meu corpo
como uma serpente
meu mamilo em sua boca
é uma chaga ardente
meu prazer tem pressa
e se derrama, latente
calo gemidos de prazer
nessa dolorosa orgia
que me rasga a carne
de desejo em agonia
e me entrego, delirante
até raiar o dia
(escrito por Zailda Mendes)
25/6/06

Hoje eu vou te amar
e visto-me assim, lentamente
na dolorosa espera
dos beijos teus
meu corpo latejante anseia
por ser tomado, invadido,
subjugado ao peso do teu
levado em suspiros arquejantes
em ondas de desejo e prazer.
Deslizo a meia de seda
que será arrancada, rasgada
num rompante de fúria e paixão
ou tirada aos poucos, entre beijos
que descrevem, ávidos, um caminho
em minha pele latente, carente
com carícias loucas e por fim
ela ficará num canto, abandonada
esquecida entre gemidos de prazer.
Cubro meus seios com rendas finas
onde os mamilos se acomodam, inquietos
esperando sôfregos por teus lábios
desejando ser aprisionados entre dentes
dançar na tua boca
arquejar e entumescer de tesão
e meus olhos cerrados, lacrados,
o gemido de prazer preso na garganta
e assim as rendas se vão.
Entrego meu corpo à carícia
da calcinha vermelha
cor da minha paixão, da minha entrega
onde aos poucos teus lábios
e tua língua sedenta
exploram cada pedaço de desejo
em beijos encharcados de posse insatisfeita
de amor que chega de longe
com cheiro de volúpia e de mar
E abre com carícias plenas
descreve círculos ardentes
fustigando o centro do meu desejo
e me faz explodir, demente
em luzes incandescentes
um mar de prazer e espasmos de paixão.
(escrito por Zailda Mendes)
21/6/06

Vuelvo a casa y tú no estás
vacío está el jardín
donde mueren las flores
vacía está mi vida
y mueren mis sueños
sin el agua de tu amor
si no vuelves
vacío quedará mi corazón
donde mi sangre muere a cada hora
que no estás
mis ojos están vacíos
porque no estás aquí
si no retornas
vacía estará mi alma
vacío mi pecho
vacía mi vida
soledad
(escrito por Zailda Mendes)

Neblina insana baixa sobre a noite
que se fez mais cedo na tua ausência
vem sobre o meu peito como açoite
e a tempestade cai na alma sem clemência
Noite extrema que clama em furor
estupor de pranto lavado em brisa
chaga que arde no meu céu sem cor
se instala em meu peito que agoniza
Oh, ausência atroz e amargurada
vazio que me entorpece em ais
me deixa a vagar pela madrugada
bebendo na luz profana dos mortais
Olhar vazio, lágrima torrente
a espera insana finalmente exala
último suspiro de chama latente
a esperança, abandonada, estala
(escrito por Zailda Mendes)
20/6/06

Te amo
com a pureza das crianças
a grandeza da luz do sol
a certeza do amanhã
a força da tempestade
a urgência dos desgarrados
o desespero das almas malditas
a agonia do pio da coruja
a pressa dos amantes
Te quero
com a pureza dos errantes
a grandeza do amanhã
a certeza da tempestade
a urgência da saudade
a agonia das crianças
a pressa dos desvalidos
a força dos amantes
o desespero do pio da coruja
Te espero
com a urgência da tempestade
a certeza da verdade
a inocência dos aflitos
a força das almas malditas
a pureza do pio da coruja
o desespero das manhãs
a grandeza das crianças
a pressa dos desgarrados.
(escrito por Zailda Mendes)

Você é minha luz
minha fogueira cristalina
a luz da manhã
meu porto de chegada
ponto de partida
meu medo, minha dor
alucinação
você é a cortina da minha janela
a lua e as estrelas
minha alma, minha vela
razão da minha vida
Sem você sou nada
página rasgada
violino roto
sou flor sem pétala
navio desgovernado
nas águas bravias da saudade
sua mão, minha âncora
seu amor, meu destino
com você sou pirata
sou anjo, demônio
sou eu, sou você
sou nós, sou um só
começo e termino em você.
(escrito por Zailda Mendes)

Meu amor, que fazer
se meu sangue insiste
em correr em tuas veias
se meus lábios insistem
em procurar os teus
se minha vida insiste
em se enroscar na tua
se meus olhos me traem
e caem dentro dos teus
se meu coração se abre
pra te abrigar
se meu pensamento me abandona
e se embala no teu?
Meu amor que posso fazer
se minha alma
me abandonou e agora
está ao pé da tua
se meu espírito se perdeu
e se misturou com o teu?
(escrito por Zailda Mendes)

Chegas tão docemente
ao meu coração
num beijo de brisa
carícia de vento
carinho
Me carregas em vagas de loucura
que me ardem
me lambem, fulgentes
paixão
Por vezes me abres
meu coração escorre
em lavas ardentes
dolorosas serpentes
ciúme
e quando te vais
e fica o vazio
a lágrima sentida
um arrepio sereno
saudade
(escrito por Zailda Mendes)

Tenebrosa noite de olhar castanho
que me traga em seus braços
mal cai o sol
a ver-te, qual fantasma em sonhos
assombrando-me a escuridão do quarto
levantando-se ante mim
em monstruosas vagas de saudade
doce quimera
que me alucina
em vão estendo a mão
tento alcançar-te
mas já te afastas, galopante
em meu pesadelo de loucura
minha alucinada espera de paixão
minha carne que te reclama
se contorce
em sonhos, pesadelos
nefastos, dolorosos
de entrega e espera
lábios, mãos, peles se confundem
em fastasmagórica agonia
(escrito por Zailda Mendes)